Operação Dragão


(Enter the Dragon, 1973, 98 min)

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Antes de começar a falar dos filmes do épico Bruce Lee, devo salientar que é minha opinião que seus filmes, por revolucionários que tenham sido (para a categoria em questão), não são tão interessantes quanto ler e assistir a documentários sobre a vida desse que foi um dos maiores artistas marciais da História. Seus filmes nem de longe fazem jus ao que Bruce Lee representa para as artes marciais (TODAS), muito embora sejam recheados de ação, algum drama e tentativas de introdução de seus conceitos filosóficos (tentativas frustradas, na minha opinião).

Isso dito, lembrem-se: a produção é de 1973. Bruce Lee revolucionou a maneira de filmar cenas de ação com suas tomadas diferentes das habituais (em termos de lutas) até então.

O que se via nos cinemas eram ninjas voadores, mestres espadachins superpoderosos, etc. Bruce Lee sempre interpretou um simples ser-humano. Com habilidades de luta refinadas, sim; mesmo com uma musculatura que não parecia possível para humanos mas, ainda assim, um humano. Portanto, se você hoje em dia gosta de assistir às cenas de ação com Jet Li, Jackie Chan, Steven Seagal, Chuck Norris, etc., saiba que isso começou com Bruce Lee.

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O título em questão conta a estória Lee, um discípulo de um templo de artes marciais que é contratado por uma espécie de Black Ops (Operações Especiais) para investigar o que se passa na ilha de um empresário milionário, suspeito de tráfico de drogas e assassinatos. Lee é chamado pelo fato de a ilha ter entrada restrita, exceto por um evento que seu proprietário promove a cada 4 anos: um torneio de artes marciais.

Lee é enviado para participar do torneio e, enquanto na ilha, deverá investigar e prover quaisquer provas que liguem o empresário às suspeitas de assassinatos e tráfico de drogas.

É um filme bacaninha, mais para aficionados por artes marciais que para o público em geral. Mas fica mais saboreável com uma pequena dose de informação acerca da história de Bruce Lee e seus conceitos filosóficos (indicarei outros títulos que satisfaçam este quesito em breve).

 

Título: Operação Dragão
Original: Enter the Dragon
País: Hong Kong / USA
Elenco Principal: Bruce Lee, John Saxon, Jim Kelly, Ahna Capri.
Diretor: Robert Clouse
Companhia: Golden Harvest Company
IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0070034/

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Sanjuro


(Tsubaki Sanjuro, 1962, 96 min)

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Povo, assistam a este filme. Não que Akira Kurosawa precise dos meus lamentáveis elogios, ou que Toshiro Mifune passe a semana esperando minha opinião a respeito de sua atuação, mas esse filme é muito bom.

Toshiro Mifune interpreta um ronin (samurai andarilho/sem senhor feudal) que se envolve com jovens idealistas que tentam livrar seu clã da corrupção. O tesoureiro se recusa a aderir ao plano de seus jovens discípulos que, por sua vez, resolvem tratar diretamente com o superintendente local. Seu plano dá sai pela culatra, e eles vêem suas vidas serem salvas pelo “imprestável” ronin sem nome, que os dá algumas lições de capacidade analítica, habilidade com a espada e esperteza.

Falar mais seria estragar uma excelente trama. Fica a dica: aluguem, comprem, emprestem, mas assistam Senjuro. Um balde de pipocas e uns refrigerantes acompanham bem.Daí por diante o que ocorre é uma verdadeira batalha para conseguir salvar o clã das ambições do superintendente, com excelentes diálogos, empolgantes lutas entre samurais e uma atuação impecável de Toshiro Mifune.

Grande abraço, e boa sessão.

Título: Sanjuro
Original: Tsubaki Sanjuro
País: Japão
Elenco Principal: Toshirô Mifune
Diretor: Akira Kurosawa
Companhia: Europa Filmes
IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0056443/

Shinsengumi


(Shinsengumi, 1969, 122 min)

Esse filme não foi lançado no Brasil. Tive que encomendar do Canadá pra poder assistir ao menos com as legendas em inglês. Portanto, se quiser assistir ao filme este será um esforço necessário, mas vale a pena.
A película retrata o histórico grupo de guerreiros japoneses, o Shinsengumi, criado para proteger o Shogunato Tokugawa contra a facção imperialista do Japão, que deseja abrir suas portas à tecnologia e cultura ocidentais. O grupo é liderado por Kondo Isami (em japonês o sobrenome antecede o nome) que, a princípio, sai como um simples lavrador acompanhado de um grupo de amigos, e parte de sua casa deixando esposa e uma filha pelo propósito patriótico de defender seu país da influência estrangeira. O objetivo inicial era proteger o Shogun durante sua visita a uma cidade próxima, mas os planos mudam devido a certas circunstâncias, e Kondo parte com seu grupo (e dois outros) rumo ao destino inicial. Sua ajuda é aceita pelo governo local e eles passam a ser conhecidos como Shinsengumi.
Interessante sobre o filme é o atrelamento a fatos históricos ocorridos no Japão, como o famoso “Incidente da Hospedaria Ikeda”, que eu adoraria comentar aqui, mas aí já seria spoiler.
Toshiro Mifune é o intérprete de Kondo Isami em um filme que não se tornou best seller, mas que é uma excelente referência para entender os costumes e a cultura japonesa do século 19.

Título: Shinsengumi
Original: Shinsengumi
País: Japão
Elenco Principal: Toshiro Mifune, Kinya Kitaoji
Companhia: Mifune Productions
IMDB: www.imdb.com/title/tt0066372/

Os Sete Samurais


(Shichinin No Samurai, 1954, 202 min)

Se você nunca assistiu a este filme, sinto muito por você. Sinto muito por mim mesmo, que demorei quase 28 anos para ter contato com essa maravilha do cinema internacional, dirigida pelo mestre Akira Kurosawa. Um filme de longuíssima duração, dependendo de qual versão você assiste (podendo variar de 160, na versão internacional, a 207 minutos na versão restaurada americana). Eu tenho a versão de 202 minutos e é nela que me baseio para expôr minhas opiniões a respeito da obra.

São mais de 3 horas de muita ação e combate ao antigo estilo japonês: na espada. O filme foi produzido inteiramente em preto-e-branco e os diálogos em japonês são fantásticos. Engraçado como filmes em preto-e-branco parecem prender mais a atenção do telespectador, parece criar uma atmosfera que os filmes coloridos não são capazes de reproduzir.

O mestre Kurosawa nos remete ao passado, num Japão ainda feudal, cuja economia ainda era dividida em 3 camadas: Samurais, lavradores e comerciantes. A trama diz respeito a uma vila de lavradores que, constantemente saqueada por bandoleiros, resolve contratar samurais decadentes ou Ronin (Samurais andarilhos) para dar cabo dos bandidos. Após muitas dificuldades conseguem encontrar um experiente samurai que reúne outros 6 para resolver o problema do vilarejo a troco de três refeições de arroz diárias e lugar para dormir. A missão é derrotar 40 bandoleiros armados e a cavalo logo após a próxima colheita de arroz, quando de certo os saqueadores aparecerão para roubar-lhes novamente toda a lavoura.

O elenco conta com o mundialmente famoso Toshiro Mifune (que tabém estrela em “Tora, Tora, Tora” e na trilogia “Samurai” no papel de Miyamoto Musashi, o lendário espadachim) interpretando Kikuchiyo, o mais engraçado e maluco do grupo de heróis, com uma espada que quase alcança a altura do dono.

Uma obra ainda sem igual, mesmo após 55 anos, que demonstra o quão abrangente é o olhar de Akira Kurosawa, mantendo a qualidade e dando atenção aos mínimos detalhes mesmo tendo de coordenar um elenco gigantesco, com instalações não menores, num período de pós-guerra.

Assista o quanto antes a essa obra, dita uma das obras-primas de Kurosawa e do Cinema mundial, e delicie-se com as nuances da cultura japonesa e com um mundo de costumes totalmente diferentes daqueles com os quais você está habituado. Akira Kurosawa é nota 10, e você não pode perder.

Título: Os Sete Samurais
Original: Shichinin no samurai
País: Japão
Elenco Principal: Takashi Shimura, Toshirô Mifune, Yoshio Inaba, Seiji Miyaguchi, Minoru Chiaki, Daisuke Katô, Isao Kimura
Companhia: Toho Company
IMDB:
www.imdb.com/title/tt0047478/